O ransomware segue em alta em 2025 e não há indícios de que o cenário vá mudar no curto prazo. Dados da SonicWall mostram que os primeiros meses do ano registraram um aumento de 126% nos ataques em relação a 2024. Entre janeiro e junho, 4.198 incidentes foram expostos em fóruns da dark web, número quase 50% superior ao do mesmo período do ano passado.
Segundo Felipe Guimarães, CISO da Solo Iron, os grupos criminosos estão reinvestindo seus ganhos em ofensivas mais frequentes e sofisticadas, impactando desde pequenas empresas até grandes corporações. “A dificuldade em proteger operações distribuídas e a dependência de sistemas legados contribuem para o aumento das vulnerabilidades”, explica.
Empresas de médio porte, entre 50 e 200 funcionários, aparecem no topo das estatísticas globais. Para Guimarães, esse perfil é mais suscetível por depender de fornecedores terceirizados de TI e, muitas vezes, não adotar medidas abrangentes de cibersegurança.
No segundo trimestre de 2025, os grupos Qilin, SafePay e Akira lideraram os ataques, com mais de 200 casos cada. Organizações veteranas como LockBit 3.0, BlackCat (ALPHV) e Cl0p também permanecem entre as mais ativas. Apenas o LockBit foi associado a mais de 1.400 ataques nos três primeiros meses do ano. Os Estados Unidos concentram metade dos casos reportados, mas a atuação é global, atingindo Europa, Ásia e também a América Latina.
Na região, os números são crescentes. Relatório da CrowdStrike aponta que os ataques aumentaram 15% em 2024, com destaque para Brasil, México e Argentina. O Brasil lidera a lista e registrou mais de 4 mil ataques apenas no primeiro trimestre de 2025, incluindo um pico de 960 incidentes em fevereiro. “O país se tornou um alvo estratégico pela combinação de infraestrutura heterogênea, maturidade baixa em segurança e altos valores de resgate”, afirma Guimarães.
Indústrias, órgãos governamentais, energia, agricultura e varejo estão entre os setores mais atingidos. Para as empresas vítimas, o impacto vai além do pagamento de resgate: operações são interrompidas, dados sensíveis são expostos e a reputação sofre danos duradouros.
Na avaliação do especialista, organizações brasileiras e latino-americanas precisam abandonar a postura reativa e investir em estratégias integradas de defesa. “Não se trata mais de saber se uma empresa será atacada, mas quando. Aquelas que priorizarem segurança como pilar de negócio terão mais condições de enfrentar esse cenário”, conclui Guimarães.
