O setor de Saúde global está enfrentando uma escalada alarmante de ciberataques em 2025, com impactos que vão além de perdas financeiras, afetando diretamente a segurança de pacientes e a integridade dos sistemas de saúde. Relatórios recentes indicam que hospitais, clínicas e seguradoras estão cada vez mais na mira de cibercriminosos, resultando em interrupções de serviços essenciais e comprometimento de dados sensíveis.
De acordo com o Health-ISAC, organização sem fins lucrativos, que promove a segurança cibernética no setor, o número de ataques cibernéticos ao setor de saúde aumentou significativamente em 2024 e continua a crescer em 2025. Ransomware, phishing e violações de dados são as principais ameaças enfrentadas pelas organizações de saúde. Em março de 2025, 86% dos 44 incidentes de violação de dados afetaram prestadores de serviços de saúde, comprometendo informações de mais de 1,5 milhão de pacientes.
Dados valiosos
Especialistas apontam que os dados de saúde são altamente valorizados no mercado informal, sendo utilizados para fraudes de seguros e outras atividades ilícitas. Informações sensíveis de pacientes podem valer até 50 vezes mais do que dados de cartões de crédito, segundo especialistas. Além disso, a obrigatoriedade legal de armazenar dados por pelo menos 20 anos aumenta a pressão sobre as instituições para proteger essas informações.
Soma-se o fato de que a dependência de sistemas digitais e a necessidade de acesso contínuo a informações críticas tornam as organizações de saúde mais propensas a pagar resgates para restaurar operações rapidamente. A crescente adoção de dispositivos médicos conectados à internet (IoMT) também amplia a superfície de ataque, introduzindo novas vulnerabilidades.
Outro fator que agrava a vulnerabilidade do setor é a infraestrutura tecnológica frequentemente desatualizada em hospitais e clínicas, especialmente em países com recursos limitados. Muitos sistemas hospitalares operam com software obsoleto ou descontinuado, aumentando o risco de exposição a ataques conhecidos, como ransomware e malware. A falta de investimentos adequados em segurança cibernética e conscientização interna também contribui para a exposição constante dessas instituições a ameaças digitais, criando um ambiente altamente favorável para ataques bem-sucedidos.
A pandemia de COVID-19 acelerou ainda mais a digitalização do setor de saúde, expandindo o uso da telemedicina e outras formas de atendimento remoto. Esse crescimento repentino impulsionou a adoção de plataformas digitais sem os testes de segurança apropriados, oferecendo aos atacantes pontos adicionais de entrada. Além disso, o grande volume de dados gerado pela telemedicina e por consultas remotas aumenta a atratividade dessas organizações como alvos lucrativos para criminosos digitais, interessados em roubar grandes quantidades de informações pessoais e financeiras de pacientes.
Além disso, a alta pressão operacional enfrentada pelo setor contribui para a redução da vigilância em segurança cibernética. Profissionais de saúde, frequentemente sobrecarregados por demandas assistenciais imediatas, podem negligenciar ou contornar procedimentos básicos de segurança, como atualizações de senhas e autenticação multifatorial, tornando as instituições ainda mais suscetíveis a ataques oportunistas.
