A adoção da inteligência artificial generativa (GenAI) por empresas ao redor do mundo está avançando rapidamente, superando em muito a velocidade com que mecanismos de governança responsáveis e efetivos são implementados. É o que aponta uma pesquisa recente realizada pela consultoria Ernst & Young (EY), destacando uma preocupante disparidade entre inovação tecnológica e controle gerencial.
O estudo, que ouviu 975 executivos de alto escalão (CEOs, CIOs, CTOs e CFOs) de 21 países, foi conduzido entre março e abril de 2025, e revelou que cerca de 75% das empresas pesquisadas já estão utilizando tecnologias de GenAI em seus negócios. Além disso, entre 63% e 72% dessas organizações integraram a inteligência artificial generativa em diversos projetos estratégicos, enquanto quase a totalidade (99%) dos respondentes afirmou estar ativamente trabalhando com soluções baseadas nessa tecnologia.
Apesar da rapidez na adoção, apenas um terço das organizações possui estruturas formais de governança para gerenciar adequadamente os riscos associados ao uso de GenAI, tais como segurança, privacidade, conformidade regulatória e questões éticas. O levantamento destacou, ainda, que muitas empresas estão começando a investir na tentativa de preencher essa lacuna, mas o ritmo das iniciativas permanece lento em comparação com a velocidade da implementação da própria tecnologia.
Outro ponto relevante apresentado no estudo é o uso crescente de formas mais avançadas de GenAI, incluindo aquelas com capacidade autônoma de decisão (agentic AI). Cerca de 76% das empresas afirmaram já estar utilizando esse tipo específico de inteligência artificial, embora apenas 56% dos executivos entrevistados tenham relatado compreender adequadamente os riscos envolvidos nessa abordagem mais autônoma e proativa.
Uso de dados sintéticos
O relatório também aponta para o crescente uso de dados sintéticos, um método amplamente adotado por empresas que buscam evitar a exposição de informações reais, porém sensíveis, em suas aplicações de IA. A pesquisa revelou que 88% das organizações já adotam essa técnica, enquanto somente 55% dos executivos compreendem plenamente seus riscos e consequências potenciais. Isso representa um nível adicional de risco para as organizações que operam sem controles robustos.
Joe Depa, líder global de inovação da EY, enfatizou o alerta apresentado pela pesquisa, reforçando a necessidade urgente de uma governança mais estruturada e abrangente em torno das aplicações de GenAI. Segundo ele, sem controles claros e eficazes, as empresas correm sérios riscos de enfrentar problemas como vieses algorítmicos, vulnerabilidades de segurança, impactos negativos à reputação e até mesmo questões legais sérias, especialmente em um contexto regulatório cada vez mais exigente.
A preocupação também ecoa entre consumidores, que, segundo a pesquisa, demonstram um nível de apreensão significativamente maior que os executivos quando o assunto é o uso indevido ou mal controlado da inteligência artificial generativa. Esse receio reflete a percepção do público de que a falta de transparência e responsabilidade pode resultar em abusos reais, com impacto direto na privacidade e segurança dos indivíduos.
Especialistas da EY ressaltam que a governança das tecnologias emergentes, especialmente aquelas tão poderosas quanto a inteligência artificial generativa, não é apenas uma questão de conformidade regulatória, mas de sustentabilidade estratégica. Para aproveitar os benefícios dessas tecnologias sem expor seus negócios a riscos desnecessários, empresas precisam urgentemente ampliar a compreensão sobre o tema e adotar políticas robustas, éticas e proativas.
