Um estudo global da Kyndryl, divulgado no final de maio, revelou um profundo descompasso entre os vultosos investimentos em inteligência artificial e a capacidade das equipes de adotá-la com segurança e efetividade. A pesquisa, realizada entre 20 de fevereiro e 21 de março de 2025 com mais de 1.000 executivos sêniores de oito países — incluindo Brasil, Estados Unidos e Reino Unido — apontou que 95% das empresas estão aplicando IA em seus negócios. No entanto, 71% admitiram que suas equipes ainda não estão preparadas para extrair o máximo dessa tecnologia.
A pesquisa da Kyndryl destaca que 51% das organizações reconhecem a falta de habilidades específicas para implementar IA, e 45% dos CEOs percebem resistência ou hostilidade dos colaboradores frente à tecnologia. Esse conflito interno geralmente se manifesta como medo de substituição, falta de autonomia e lacunas no treinamento oficial, já que apenas uma parcela dos funcionários possui formação formal ou capacitação contínua.
Também é perceptível a desconexão entre investimento e aplicação prática de IA: enquanto 95% das empresas estão financiando projetos relacionados, apenas cerca de 40% aplicam IA para gerar novos produtos ou insights de negócios .
Esses problemas reforçam a urgência de ferramentas como análise de competências, design de trilhas educacionais e reforço da confiança tecnológica. A Kyndryl recomenda adotar práticas estruturadas, que incluem diagnóstico de habilidades, mensuração contínua de resultados e iniciativas de mudança cultural alinhadas à estratégia tecnológica.
AI Pacesetters”: um grupo ainda pequeno
A Kyndryl classificou apenas 14% das organizações como “AI Pacesetters” — aquelas que alinharam investimentos em IA, governança competente e maturidade das equipes. Esse grupo se destaca por implementar estratégias estruturadas de mudanças organizacionais e treinamento, apresentando 29% menos resistência interna e sendo 67% mais apto a mapear competências técnicas no time. Em comparação, empresas que investem em IA sem esses pilares enfrentam déficits de engajamento, talentos e confiança por parte dos colaboradores.
Do ponto de vista do perfil da liderança, emergiu outra divergência: CEOs tendem a priorizar a contratação externa quando percebem falta de preparo interno, enquanto CTOs e CIOs — mais próximos às necessidades técnicas — apostam em iniciativas de upskilling, conforme detalhado pelo relatório.
Pesquisas anteriores
Dados anteriores reforçam o alerta. Um levantamento da McKinsey, realizado entre outubro e novembro de 2024, mostrou que 62% dos funcionários entre 35 e 44 anos se consideram familiarizados com IA e 90% se sentem confortáveis em usá-la, em contraste com apenas 50% dos jovens de 18 a 24 anos. Outro exemplo é o estudo do Federal Reserve, que apontou taxas de uso de IA entre 20% e 40% nos trabalhadores, com ocupações técnicas apresentando adoção ainda maior.
Esses números indicam que a base de usuários não é o principal obstáculo — o entrave está no preparo geral das organizações.
Em nível global, o Business Insider revelou que o surgimento do ChatGPT em 2022 causou uma queda de 31% em ofertas de empregos em ocupações com forte exposição a IA, como administração de bancos de dados e TI, nos EUA. A tendência é clara: a automatização já altera significativamente o quadro de empregos, e as empresas precisam se antecipar à revolução.
